terça-feira, 14 de junho de 2011

O som das deadlines chegando (de novo)

Eles pararam em frente ao rio Anghar, que corta as terras do Sul na direção do mar de Draseus. Chegariam mais rapidamente ao porto da Cidade Velha se acompanhassem as margens do rio. Fillias ergeu a cabeça, como se isso o ajudasse a pressentir algo, e olhou para a necromante que o acompanhava, sua mulher. Encararam-se por um instante; em seguida, desceram ao mesmo tempo de seus cavalos. Annia se agachou e tocou o solo com a mão esquerda:
- Você também ouve isso?
- Sim. Serão elas de novo?
Fillias ajudou a necromante a se levantar. Sabiam que precisavam de mais tempo; o caminho mais longo para a Cidade Velha também era o mais tortuoso, atravessava montanhas e vales habitados por gigantes rudes e bandos de licantropos enlouquecidos após o assassinato de seu líder pelo rei.
- As deadlines são piores do que a estrada longe do rio. - Ela disse. - Mesmo eu tenho pouco poder contra elas.
- E minha espada seria completamente inútil.
O cavaleiro olhou para a mochila de couro pendurada no dorso do cavalo. Era preciso entregar aquelas histórias ao senhor dos barcos, Otto Vanderi, antes da terceira lua, e ainda havia páginas a escrever. Para isso contava com a ajuda de Annia, conhecedora das extensas linhagens de famílias das eras esquecidas. Se as deadlines os alcançassem, não teriam receio em devorar cada um dos papiros depois de sujá-los com o sangue dos seus autores. Poucas histórias sobreviveram aos seus ataques; ainda menos homens conseguiram descrever como elas haviam destruído suas obras em meio a rugidos e ao som implacável dos cascos ressoando pela floresta.
O mesmo barulho incessante do qual Annia e Fillias se afastavam agora, abandonando o leito seco do outrora caudaloso Rio das Sombras, e adentrando a Grande Floresta em direção às montanhas, aos gigantes e lobos, mas a salvo dos dentes afiados e olhos atentos das deadlines. Ao menos, temporariamente.
***
É isso mesmo. O som das deadlines volta a incomodar. Segue a lista das próximas coletâneas e chamadas, em ordem cronológica, com links para as mesmas. Boa sorte a todos que se dispuserem a cumpri-las:

22/06 - Bonecos : Medo B
O blog MedoB promove a seleção de contos para um e-book: Histórias de terror envolvendo bonecos.

24/06 - Caçadores de Vampiros : Editora Buriti
A editora Buriti pretende lançar uma série de livros com caçadores de seres sobrenaturais - começando com vampiros.

01/07 - FCdoB
O concurso FCdoB já é tradicional. Este biênio, uma novidade: selecionará ilustrações também.

01/07 - Le Monde Bizarre : Estronho
Quem nunca teve medo do circo e dos segredos abaixo da lona e dentro dos trailers?

15/07 - VII Demônios - Ira : Estronho
O último volume da coleção VII Demônios, dedicado a Ira / Azazel. Última oportunidade para participar!

01/08 - Quando o Saci Encontra os Mestres do Terror : Estronho
O Estronho é hiperativo... Aqui, a ideia é unir o folclore nacional ao terror, homenageando-o e dando-o uma nova perspectiva.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Eu li: Guerra Justa, de Carlos Orsi

Acompanho há algum tempo o blog de Carlos Orsi, seu trabalho como jornalista especializado em divulgação científica e lembro-me de quando assinava Carlos Orsi Martinho, na época da IAM. Guerra Justa é o primeiro romance de sua autoria que leio e dá para notar nitidamente a influência dos assuntos que aborda em seu blog: a influência (ou interferência) das religiões e o impacto da ciência e do progresso científico no mundo atual.

Em resumo: após a queda de um meteoro no mar Mediterrâneo, a humanidade se vê orfã de referências geográfico-religiosas, já que os grandes centros de fé foram destruídos em um único evento. Um homem conquista espaço e influência apresentando-se como um profeta habilidoso, capaz de prever grandes e terríveis acontecimentos, aglutinando em seu culto o que restou das religiões afetadas pela catástrofe. Mas há um grupo de rebeldes que não acredita nesta liderança e pretende derrubá-la, envolvendo duas irmãs gêmeas, a freira Rebecca e a cientista Rafaela, em suas ações.

A leitura de Guerra Justa flui rapidamente, graças a fragmentação da narrativa em capítulos curtos e que variam constantemente de ponto de vista, abordando diferentes personagens, tempos e linhas que acabam se influenciando, em maior ou menor grau. A história ganha ritmo de Techno-thriller e me interessei por ela logo nos primeiros capítulos, ou melhor, pelo destino daquele grupo de rebeldes e em sua estratégia incomum para tentar enganar uma suposta entidade capaz de prever cada passo da história: o uso do acaso. Chega a ser engraçado o modo como até mesmo as roupas usadas pelos membros são escolhidas assim.

Quando li a sinopse, me incomodou a ideia de uma história envolvendo personagens gêmeos, que costumam cair no clichê do bacana e do malvadão. É claro que subestimei a inteligência do autor, que, logo nas primeiras páginas, desfaz completamente a expectativa do leitor de uma forma inusitada e até um tanto cruel. Aliás, como dito, a leitura é veloz e, se há um problema neste romance, é a velocidade em que ideias são interessantes são descritas. O mundo de Guerra Justa é plausível e complexo, envolvendo desde implantes neurais que ajudam as pessoas a distinguir o real do virtual (e que, claro, podem ser invadidos e contaminados por vírus) a estações espaciais e inteligências artificiais. É um roteiro ambicioso, e geograficamente amplo, espremido em uma novela de 150 páginas. Não digo que seria melhor se o livro fosse maior - na verdade, este é um mérito, pois não há gordura - mas acaba exigindo uma segunda leitura, mais atenta ao cenário do que a trama, para ser apreciado totalmente. Não sei também se era intenção do autor aproximar a figura do “profeta” das interpretações contemporâneas que algumas denominações cristãs, especialmente protestantes, fazem do Anticristo descrito na Bíblia - eu não consegui afastar esta comparação de minha mente enquanto lia.

Parabéns a Draco que imprimiu algumas passagens “invertidas” (letras brancas sobre folhas pretas) e demonstra mais uma vez um trabalho editorial exemplar. Há um ou outro errinho bem bobo de digitação (“do” no lugar de “da”, este tipo de coisa), mas não chega a atrapalhar.

Guerra Justa, Carlos Orsi. São Paulo: Editora Draco, 1.ª Edição, junho de 2010, 150 páginas. Capa de Erick Sama.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Degustação: Cursed City

A Editora Estronho disponibilizou, em seu site, uma degustação em PDF da coletânea Cursed City - Onde As Almas Não Têm Valor. São dois contos: O gigante, a curandeira e a lutatora de kung-fu, de Alfer Medeiros, e Just like Jesse James, de Alliah. A ideia é ótima: Muitas vezes, o tema de um livro, as informações de orelhas e quarta capas nos fazem querer lê-lo, mas nada melhor do que uma degustação de verdade.
Aliás, eu participo desta coletânea também :-) .

quarta-feira, 23 de março de 2011

Eu li: A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr

Muitos leitores têm medo do hype. Temem que, após a leitura de uma obra badalada, não a achem tão interessante quanto os amigos, blogs e sites preferidos andaram alardeando. Isso não acontece com A Batalha do Apocalipse; de fato, se a obra de Eduardo Spohr alcançou o status de épico da literatura fantástica nacional, foi especialmente por seus méritos.

A história dos bastidores todo mundo já conhece: Jovem Nerd, livro independente, sucesso de vendas, saiu pela Record, etc. Mesmo quem não leu também já sabe mais ou menos a trama: o último dos anjos renegados, Ablon, é convidado pelo seu inimigo, Lúcifer, para lutar ao seu lado contra seus antigos aliados, liderados pelo arcanjo Gabriel. O mundo caminha rapidamente para a guerra final, e Ablon aos poucos entenderá a complexidade e dimensão do que aguarda não apenas a humanidade, mas o céu e o inferno.

O que mais impressiona em A Batalha do Apocalipse é a coerência do mundo criado por Spohr e a forma como ideias aparentemente díspares de religiões e mitos distintos são interligados. Não há soluções fáceis ou sacadas de última hora, e aceitamos sem problemas um universo habitado tanto por anjos quanto por espíritos de pessoas mortas, antigos deuses quase esquecidos por seus adoradores, minúsculos e delicados seres cuja existência pode ser varrida por um sopro ou demônios cruéis e disformes. O leitor é, na maior parte do tempo, conduzido pelo olhar de Ablon, que, a despeito de ter ocupado um lugar relativamente privilegiado no plano espiritual, desconhece uma parte substancial do universo: O personagem se surpreende com descobertas fascinantes, algumas belíssimas e outras, terríveis.

O que nos leva ao desenvolvimento dos cenários, incrivelmente variados, pois cobrem momentos distantes entre si no tempo e lugares separados por oceanos e continentes inteiros.  Em especial, a caracterização da antiga Babilônia, das cidades da China e da atual Jerusalém me impressionaram. Todos eles parecem críveis e reais. O mesmo vale para os mundos imaginários; é possível compreender a maravilhosa aparência da Atlântida e decrepitude do inferno em poucos parágrafos.

Os personagens são interessantes e bem desenvolvidos. Ainda que Ablon corresponda a um herói arquetípico, alguns de seus atos resultam em erros, equívocos e decisões erradas – os anjos não são infalíveis, afinal. A feiticeira Shamira aparece como o contraponto humano de uma história milenar e é a personagem que permite ao leitor não se perder na amplitude da trama. Nimrod, Lúcifer, Gabriel, Miguel, Orion, Amael, Flor do Leste são fascinantes em suas motivações, erros, redenções, mesmo aqueles movidos por um único desejo (como a Estrela da Manhã) têm seus momentos de dúvida. A exceção é Apollyon, espécie de nêmesis de Ablon, que parece cumprir apenas esta função – embora sua natureza seja perfeitamente explicada ao final.

É um romance épico; logo, batalhas e lutas acontecem constantemente. O pulso do escritor é firme, os movimentos dos oponentes são descritos com clareza e a narrativa destes eventos é sempre bem conduzida – o que vale para a longa batalha final. Muita gente estabeleceu paralelos entre estas lutas e o anime Cavaleiros do Zodíaco. Confesso que nunca gostei do desenho (se eu escrevesse isso no Twitter, haveria um #prontofalei aqui) e não o tenho como referência. Senti, claro, um quê de anime nas armaduras, golpes e estratégias dos anjos, mas nada tão certeiro. Felizmente, no livro ninguém grita o nome de seus golpes antes de descer o sarrafo no inimigo.

Talvez o flashback que interrompe um momento crucial na trama seja longo demais, mas a história narrada nela é tão interessante que dá até para se esquecer deste probleminha. Imagino o trabalho louco que o autor teve para encaixar tanta informação sobre o passado dos personagens em flashbacks posicionados de tal forma que fossem úteis, interessantes e não parecessem forçados, como se estivessem ali apenas para explicar algo importante no capítulo seguinte. Embora estas interrupções na trama não tenham me incomodado, acredito que poderiam ter sido mais trabalhadas. O mesmo acontece com algumas informações-chave que o autor acaba repetindo em excesso. Entendo que um romance extenso como ABdA (para os íntimos, claro) se beneficie destas repetições, mas algumas ficaram próximas demais e tornaram-se óbvias – por exemplo, a que estabelece a relação entre a espada e o seu portador, nos primeiros capítulos. Em outros momentos, talvez fosse mais interessante deixar uma ou outra conclusão para o leitor. Cito o reencontro (spoiler adiante!) com o rei Nimrod. Não era realmente necessário explicitar de quem se tratava - eu, pelo menos, já o havia identificado. Aliás, este trecho é particularmente tocante, como outros no livro. Fiquei fascinado pela economia e precisão na descrição da beleza e sabedoria dos ofanins, da altivez de Gabriel e da humanidade ao mesmo tempo simples e grandiosa de Flor do Leste. Em outros momentos, Spohr abusa um pouco dos adjetivos, em especial nas descrições de lutas e habilidades dos anjos. Mas não é nada que chegue a atrapalhar.

O final é ambicioso e recheado de revelações impactantes. Mais uma vez, a solidez do universo de ABdA serve de sustentação a estas revelações, que se encaixam e passam a fazer ainda mais sentido quando o leitor as relaciona a detalhes narrados anteriormente. É neste momento que um escritor novato, como eu, tem de reconhecer a importância da pesquisa (o mesmo ocorre em outro excelente livro, O Centésimo em Roma de Max Mallmann) e o trabalho de artesão necessário para fazer com que ela se “dilua” naturalmente na obra, ajudando a fazer de um mundo inventado um cenário crível, palpável.

Enfim, A Batalha do Apocalipse merece o lugar de destaque que tem ocupado na literatura fantástica nacional. É um livro que li com prazer e interesse genuíno sobre o destino dos personagens – chegando mesmo a temer por alguns deles.

terça-feira, 8 de março de 2011

Nas Montanhas da Loucura: cinema é para crianças, TV é para adultos?

A notícia sobre o possível cancelamento da adaptação de Nas Montanhas da Loucura, de H. P. Lovecraft, pelo diretor Guihermo delToro, me fez pensar em algumas coisas. A alegada razão para o cancelamento seria o medo da Universal em investir um orçamento bastante generoso (150 milhões de dólares) em um projeto que receberia censura R, mesmo contando com Tom Cruise no elenco e a tecnologia 3D desenvolvida por James Cameron para Avatar. Em Hollywood, um filme só é considerado um sucesso se atinge bilheteria superior a três vezes seu custo de produção. Logo, Nas Montanhas da Loucura só daria lucro se chegasse a 450 milhões de dólares de bilheteria.
Em resumo: adultos que gostam de ficção científica e fantasia podem esperar sentados por um filme dirigido a eles. Ao menos, uma produção que dependa de efeitos especiais massivos. Nada contra filmes menores e mais arriscados (Moon, por exemplo), claro, mas quem disse que adultos não vão ao cinema para ver enredos fantásticos também? Eu me arrisco a dizer que o público entre 25 e 35 anos seria suficiente para justificar a produção de um filme como este.  Mas, e especialmente após a crise dos últimos anos, Hollywood quer bilheterias astronômicas e aposta na supremacia dos muito jovens. Por isso mesmo, o PG-13 se tornou um objetivo a ser atingido por muitos filmes – inclusive por alguns que não deveriam se adequar a este padrão. Os produtores que se defendem, citado bilheterias decepcionantes como as de O Lobisomem, se esquecem convenientemente da qualidade dos exemplos escolhidos.
A saída para histórias fantásticas para adultos tem sido a TV. Parece haver menos riscos e um custo de produção bem menor, além do barateamento dos recursos necessários para se fazer boa FC & F na televisão. Também é verdade que a venda de espaços publicitários nos intervalos é uma grande fonte de renda, algo que não é possível de se fazer no cinema – melhor nem imaginar um produtor querendo colocar Coca-Cola numa taverna frequentada por anões e guerreiros.
Produções como True Blood na HBO e The Walking Dead na Fox provam que a combinação tem dado certo. Não é à toa que a TV esteja atraindo cada vez mais atores e diretores do primeiro escalão.  Livres das exigências de um mercado cinematográfico que se dirige com volúpia apenas aos muito jovens, os roteiristas para a TV têm se arriscado mais e colhido resultados bem interessantes. Talvez a maior aposta (e maior prova disso) seja A Guerra dos Tronos, a nova série baseada nos livros de George R. R. Martin produzida pela mesma HBO que levou a sexualidade dos vampiros (e outras criaturas) de Charlene Harris para as telas. Aguardamos ansiosamente.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Suspensão de descrença

Conheço muita, muita gente mesmo que tem absoluta aversão a qualquer obra fantástica, seja no cinema ou na literatura. Eu acho bastante estranho isso, já que não tenho aversão a gêneros específicos - a exceção do "filme-família com bichos falantes feitos com CGI vagabunda" e do "filme-de-adolescente cantor que vai provar seu valor em Los Angeles". Sinceramente, acredito que é possível escrever bons livros e bons roteiros em qualquer cenário e gênero. Há sempre gente talentosa em qualquer, digamos, nicho narrativo. Mas, parafraseando o Inagaki, tergiverso. Voltemos.
Há quem prefira o mainstream; ou a literatura do cotidiano, claro. Mas tenho contato constante com pessoas que odeiam fantasia e ficção científica porque não as entendem. Ou melhor, não entendem o universo criado nestas obras; são incapazes de imaginar histórias que não estejam firmemente ancoradas na realidade. Eu poderia ser um tanto preconceituoso e dizer que elas sofrem de déficit de supressão de descrença.
A supressão da descrença refere-se, usando o conceitinho lá da Wikipedia ,"à vontade de um leitor ou espectador, de aceitar como verdadeiras as premissas de um trabalho de ficção, mesmo que elas sejam fantásticas, impossíveis ou contraditórias." O melhor exemplo na literatura mainstream é o realismo fantástico latino-americano (aliás, por muito tempo, o gênero foi o sinônimo da América Latina literária em boa parte do mundo). No Brasil, o representante mais lembrado é Murilo Rubião e seu livro O Pirotécnico Zacarias. São, geralmente, histórias em que eventos ou elementos fantásticos atravessam o cenário da narrativa que é, em sua maioria, realista.
Já a FC&F exige muito mais do leitor (e por isso mesmo, para atingir um patamar eficaz de supressão de descrença no leitor, também exige muito do escritor); muitas vezes, apresenta uma "gramática" própria, e pressupõe um certo conhecimento de seus conceitos, clichês e amplitude. Não agrada a todos, claro. Só impressiona o grau de rejeição quase patológica que algumas pessoas sofrem em relação a FC&F. Sem querer ser machista, destas pessoas que conheço, a maioria são mulheres e, dentre elas, 99% acompanham telenovelas.
Pois bem: confesso aqui sofrer do mesmo problema em relação às novelas. Não consigo ativar meus neurônios de supressão de descrença para aceitar que um moleque de vinte anos possa assumir uma empresa multinacional após descobrir que é o filho perdido de um grande industrial, ou que dois irmãos separados por milhares de quilômetros e dezenas de anos venham a se apaixonar (ok, Luke e Leia, essa é para vocês também), ou ainda que todos os conflitos desenvolvidos ao longo de meses se resolvam em mais ou menos uma hora e meia de capítulo final, culminando no casamento dos mocinhos e na punição exemplar dos vilões.
Enfim, cada um tem seus limites de descrença.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

David Gerrold e a Criança de Marte

David Gerrold é um escritor de ficção científica famoso por ter escrito o roteiro de um dos episódios clássicos de Star Trek: The Trouble with Tribbles. Nesta entrevista em duas partes, publicadas pelo Star Trek Brasilis, ele fala de seu envolvimento com Jornada nas Estrelas, seus livros e a polêmica recentemente trazida de novo à tona sobre a inexistência de personagens gays em ST - Gerrold é homossexual assumido:


Entrevista com o escritor David Gerrold - Parte 1
Entrevista com o escritor David Gerrold - Parte_2


Nem todo mundo sabe, mas o simpático filme Martian Child / Ensinando a Viver é baseado numa noveleta semi-autobiográfica de autoria de Gerrold. Ele narra as dificuldades no relacionamento entre ele e uma criança que acredita piamente ter vindo de Marte, que o escritor acaba adotando. O filme é exibido com alguma frequência na TV a cabo e não deve ser difícil achá-lo em locadoras. Ainda que não seja FC, é bem interessante, bem conduzido e dirigido com cuidado pelo desconhecido Menno Meyjes, que consta como um dos roteiristas de Indiana Jones e a Última Cruzada.