sábado, 26 de maio de 2012

Cheirinho de carro novo

Foi o que disse (ou tuitou) o astronauta Don Pettit, assim que entrou na cápsula Dragon, atracada à estação espacial ISS. Não deixa de ser uma imagem simples de um momento interessantíssimo da exploração espacial. Parece que estamos presenciando o primeiro rascunho daquela velha ideia da FC norte-americana em especial, que encara o espaço como a última fronteira, uma versão mais sofisticada do velho oeste (leia o ótimo artigo de Roberto de Souza Causo n'O Bule: Me Dá Uma Para Viver,que aborda esse e outros assuntos), desbravado pela iniciativa privada. O anúncio também recente da Planetary Resources e sua ambição de minerar asteroides reforça ainda mais esta impressão e já fez muita gente imaginar um futuro com naves como a Nostromo (de preferência, sem passageiros extras) flutuando por aí.
E, claro, há quem recorra ao discurso óbvio da ineficiência e natureza paquidérmica do estado frente a agilidade e necessidade essencial da iniciativa privada em fazer mais rápido e mais barato. Não é tão simples assim, como mostra Carlos Orsi no artigo O voo do Dragão, mas nem por isso é menos empolgante, claro. O sucesso da SpaceX certamente atrairá competidores, ávidos por milionários contratos com estados e outras empresas privadas. É bastante provável que, nas próximas décadas, a corrida espacial (ao menos aquela envolvida com o espaço próximo a Terra) seja protagonizada por estas empresas. E talvez, assim, a NASA possa se dedicar a suas pesquisas científicas com sondas e telescópios cada vez mais avançados, que custam bem menos do que projetar e lançar veículos de transporte de carga e astronautas.
Aliás, agora todos estão a espera do próximo passo: levar e trazer astronautas em uma destas cápsulas privadas.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O Somnium está de volta

O CLFC colocou um novo número do periódico Somnium (o de número 102) on-line, disponível para download aqui. Baixei, ainda não li, mas já posso dizer que ficou fantástico, com um projeto gráfico muito bonito e de bom gosto. É muito bom ver o Somnium voltando ao formato de revista e chamando entre os fãs  brasileiros de literatura fantástica.
Parabéns a todos os envolvidos. Copio aqui a lista de agradecimentos postados pelo Paulo Elache, do Podespecular, nos comentários do site: os autores Duda Falcão, Tibor Moricz, Cesar Alcázar, Miguel Carqueija e Álvaro Domingues, os articulistas Lidia Zuin e Clinton Davisson e, em especial, aos dedicados Fabio San Juan, Marcelo Bighetti e Daniel Borba, além do presidente do CLFC, Clinton.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Paraíso Líquido - Últimos exemplares

O escritor Luiz Bras avisou, em seu blog, que a últimas unidades da edição de Paraíso Líquido estão em suas mãos. Quem ainda não leu, tem a oportunidade de entrar em contato diretamente com o autor e pedir um exemplar. Etica e corretamente, como o livro foi editado graças ao patrocínio do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, jamais esteve a venda. Tive a sorte de ser sorteado no blog do Tibor Moricz - devo uma resenha do livro há mais de um ano... - e garanto que é uma das melhores leituras que tive o prazer de ter neste tempo.
Se eu fosse você, pediria logo o seu. Cito o blog do Luiz:

Os últimos trinta exemplares estão aqui, ao meu lado, aguardando os últimos interessados. Se você ainda não tem um Paraíso líquido, basta enviar um envelope selado, no valor de R$ 5,00, para o endereço abaixo, que seu exemplar seguirá imediatamente, lépido e fagueiro, para suas mãos.
Luiz Bras
Rua Dr. Paulo Vieira, 166 apto 72
01257-000 – São Paulo – SP

Selecionados para "Brinquedos... eles matam!": Sou um deles!

A Editora Estronho divulgou o resultado da seleção para a coletânea "Brinquedos... eles matam!" e foi uma grata e feliz surpresa descobrir que o meu conto "Frank" está lá também. A cada dia que passa, fica mais claro que há um mercado leitor brasileiro para literatura fantástica feita por brasileiros. E o trabalho sério e profissional de editoras como a Estronho só confirmam isso.
Os selecionados são:

  • A. Z. Cordenonsi (Henrique e o Arlequim)
  • Alex Mir (Muiraquitã)
  • Daniel de Medeiros Andrade (A boneca que era Mariana)
  • João Manuel da Silva Rogaciano (Memórias de Teddy)
  • Leonardo Araújo Oliveira (O soldado de Mariladruns Verkstrom)
  • Luiz L. Bernstein (Um coelho, e alguém mais)
  • Marcelo Breton (Frank)
  • Norberto Silva (Marionetes)
  • Priscilla Rúbia (A boneca Eduarda)
  • Rodolfo Santos(Majestade e marionete)
  • Telmo Marçal (O Crepúsculo dos brinquedos)
  • Valentina Silva Ferreira (Manu)
  • Verônica Freitas (Uma visita à Casa Damballa)

Parabéns a todos!

sábado, 19 de novembro de 2011

FC do B 2010-2011

Depois de Cursed City, da Editora Estronho, mais uma publicação seleciona um conto que escrevi, o concurso FC do B 2010-2011. O meu conto chama-se Memorial e o livro sai pela Tarja Editorial - que, aliás, já está em pré-venda no site da editora. A novidade desta vez foi o concurso de ilustrações, que premiou o vencedor Carlos Reno com a (bela) capa. Além disso, estão saindo novas edições de colecionador para os panoramas 2006-2007 e 2008-2009.
É recompensador ver as iniciativas do Estronho, FC do B e Tarja, que permitem a novos autores ter seu trabalho publicado com qualidade e  respeito. Fiquei muito feliz e entusiasmado com esta notícia. Assim que tiver mais novidades, posto aqui no blog.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cursed City e Insanas em minhas mãos

Infelizmente, não tive como ir ao lançamento da Cursed City - Onde As Almas Não Têm Valor e Insanas, em São Paulo. Mas, enfim, pude ir ao encontro do Estronhomóvel na Praça do Papa (sou de Belo Horizonte também), conheci a galera que sigo no Twitter: M.D.Amado, Celly Borges e Ana Carolina Silveira. Uma pena que eu estivesse com tanta pressa, pois queria ficar lá e conversar mais - fica para a próxima.
Enfim, sobre os livros... O trabalho da Editora Estronho é sensacional mesmo, eu ainda não havia colocado minhas mãos num livro deles (e sim, prometo que da próxima vez, compro mais...). O acabamento é ótimo e o trabalho gráfico combina impacto e bom gosto - algo sempre difícil - em ambos os títulos. O tiro no Cursed City é a cereja do bolo. Sinceramente, se estes títulos ficassem expostos em grandes livrarias, com certeza chamariam a atenção do público com facilidade. Lamento apenas que, como o próprio Amado disse, BH City não é um território muito favorável a lançamentos em literatura fantástica.
E Cursed City  é meu primeiro trabalho publicado, o conto Sombras. Não poderia estar mais satisfeito e em melhor companhia.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Eu li: Imaginários - Volume 1

Demorei a ler as coletâneas Imaginários da Draco, então começo logo pelo primeiro volume. Antes de mais nada, já digo que é recomendado.

Coleira do Amor, de Gerson Lodi-Ribeiro
Curiosa consequência da quase imortalidade humana: como manter um relacionamento amoroso estável quando o tempo de vida se expande? Boa descrição de futuro, bons personagens (ainda que os diálogos pareçam “técnicos” demais, por vezes) e desfecho trágico e violento.

Eu, a Sogra, de Giulia Moon
Incursão leve e bem-humorada à fantasia na história de uma sogra que é, literalmente, uma bruxa. Narrada pela personagem principal que esbanja simpatia, termina de forma coesa e surpreendente.
Veio... Novamente, de Jorge Luiz Calife
História (bem) convencional sobre contato alienígena, valorizada pelo texto preciso de Calife, que lembra a abordagem de O Caçador, na coletânea As Sereias do Espaço.
A Encruzilhada, de Ana Lúcia Merege
Impressionante capacidade de descrever um mundo de fantasia em um conto curto que dá vontade de continuar lendo indefinidamente. Diálogos e personagens consistentes e cativantes, mas o título entrega parte da trama.
Por Toda a Eternidade, de Carlos Orsi
Um crime espacial que acaba em uma surpresa curiosa e terrível. Com uma pegada mais hard, exige atenção do leitor para acompanhar as idas e vindas da história, especialmente porque é um conto bem curto. 
Twist in My Sobriety, de Flávio Medeiros
Alienígenas e a noite de uma metrópole brasileira do futuro. A narrativa, quase toda sob o ponto de vista do protagonista, flui muito bem e se encaixa na revelação final. A descrição dos aliens é particularmente assustadora, apesar de algum excesso de explicações.

Um Toque do Real: Óleo Sobre Tela, de Roberto de Sousa Causo
A rigor, quase não é um conto fantástico: Um pintor em crise pessoal se vê imerso em delírios metafóricos sobre sua condição, incluindo monstros e desafios. O uso de expressões que fazem referência a atividade do artista enriquecem a narrativa. 
Alma, de Osíris Reis
Eis um conto de leitura mais complicada, em que uma boa ideia acaba se perdendo nos experimentos do autor. Mesmo em uma segunda leitura, a impressão é de alguma coisa fica para trás. Ainda assim, há ótimas cenas, que transmitem boa dose de tensão.
Contingência, Ou Tô Pouco Ligando, de Martha Argel
Deliciosamente irônico, cruel e engraçado, talvez o conto com mais elementos brasileiros da coletânea. Narrado por um escroque sagaz e inteligente, brinca com a ideia de universos paralelos e as consequências mais absurdas de um pequeno ato - citando O Som do Trovão, de Bradbury.
Tensão Superficial, de Davi M. Gonçalves
A estrutura (e o desfecho) lembra bastante um episódio de Twilight Zone, mas o personagem principal não convence: as frases não parecem ter nascido na mente de um adolescente.
Planeta Incorruptível, de Richard Diegues
Costumo torcer o nariz para misturas de FC e religião, mas este conto tem dois trunfos: o ponto de vista dos alienígenas que invadiram a Terra (e o conflito entre suas crenças e o cristianismo terrestre) e a conclusão, irônica.     
Em resumo: Uma ótima coletânea, com a necessária variação de estilos, temas e gêneros que fazem o leitor saltar de um universo a outro em poucas páginas. Os meus contos preferidos são, curiosamente, os das escritoras Giulia Moon, Ana Lúcia Merege e Martha Argel. 
Sobre a capa: Já conhecia o trabalho de Roko. Neste volume, a ilustração parece encarnar os 3 gêneros fantásticos citados na capa - FC, fantasia e terror. 
Em breve, minhas impressões sobre o segundo volume.
Imaginários - volume 1, Organização de Tibor Moricz, Eric Novello e Saint-Clair Stockler. São Paulo: Editora Draco, 1.ª Edição, 2009, 126 páginas. Capa de Roko.